12 de março de 2018

O que é câncer infantil?

O câncer infantil corresponde a um conjunto de várias doenças malignas, cuja proliferação descontrolada de células anormais pode ocorrer em qualquer localização no organismo.

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O câncer infantil corresponde a um conjunto de várias doenças malignas, cuja proliferação descontrolada de células anormais pode ocorrer em qualquer localização no organismo. No Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos (8% do total).

Quais são as causas do câncer infantil?

As causas da maioria dos cânceres, seja na infância, seja na idade adulta, não são conhecidas. Em crianças, cerca de 5% dos cânceres são causados por uma mutação genética que pode ser passada de pais para filhos. Em adultos, essas mutações geralmente são consequência dos efeitos conjuntos do envelhecimento e da exposição a substâncias cancerígenas, mas no que se refere ao câncer infantil a identificação de causas ambientais é mais difícil que em adultos.

Quais são as principais características clínicas do câncer infantil?

Os cânceres mais comuns na infância e na adolescência são: as leucemias, os cânceres do sistema nervoso central e os linfomas. Também são frequentes nas crianças o neuroblastoma (tumor do sistema nervoso simpático), tumor de Wilms (tumor renal), retinoblastoma (tumor da retina), tumor germinativo (tumor das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

1. As leucemias são os cânceres infantis mais comuns (30% do total) e consistem no acúmulo de células imaturas do sangue na medula óssea. Há dois tipos de leucemias infantis: (a) a leucemia linfoideaguda e (b) a leucemia mieloide aguda. Assim, comprometem o crescimento e funcionamento dessas células, podendo atingir gânglios linfáticos, baço, fígado, sistema nervoso central, testículos e outros órgãos. Inicialmente, seus principais sintomas são palidez progressiva, cansaço além do normal, infecções de repetição, perdas de sangue na urina e no vômito ou no tecido celular subcutâneo, por exemplo.

2. Os tumores do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) vêm em segundo lugar como o tipo mais comum dos cânceres infantis (26%). Os tumores da medula espinhal em crianças são menos comuns que os tumores cerebrais. Os tumores do sistema nervoso podem produzir sintomas diversos, de acordo com sua localização. Entre os possíveis sinais e sintomas estão o choro aparentemente imotivado, a sonolência excessiva, a apatia e as frequentes dores de cabeça. Esses sintomas também são comuns a outras condições mórbidas, mas assumem maior importância se vierem acompanhados de vômitos em jatos, alterações da marcha, perda de equilíbrio, convulsões e paralisia de um lado do corpo.

3. Os linfomas são cânceres do sistema imunológico. Sendo assim, afetam as estruturas que atuam na defesa do organismo, como gânglios, tecidos linfáticos, amígdalas ou timo e também podem acometer a medula óssea e outros órgãos. Existem dois tipos principais de linfomas: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin e ambos podem ocorrer também em adultos. Neste último caso, pode atingir outras partes do corpo, como tórax e abdômen. Nos linfomas ocorre crescimento de nódulos em várias partes do corpo, como axilas, virilhas, região supraclavicular, pescoço, tórax e abdômen, por exemplo, associados com febre recorrente.

4. O neuroblastoma se inicia ainda no embrião ou feto e representa cerca de 6% dos cânceres infantis. Assim, ele se manifesta já em lactentes e bebês e raramente é diagnosticado depois dos 10 anos de idade, sendo de ocorrência mais comum em crianças entre 2 e 4 anos de idade. É um tumor de evolução rápida, que acomete o sistema nervoso simpático, o qual controla, entre outras coisas, a pressão arteriale os batimentos cardíacos. A maioria desses tumores também pode afetar o fígado, os ossos e a medula óssea. Normalmente causam febre, emagrecimento, aumento do abdômen e manchas no corpo. Costumam também gerar dores ósseas, descontrole na eliminação de fezes e urina, irritabilidade e paralisias. Os principais locais de aparecimento do neuroblastoma são glândula suprarrenal (localizada sobre o rim) e os gânglios simpáticos da linha média do abdômen. Outros locais afetados são o mediastino (espaço entre os dois pulmões) e a região pélvica.

5. O tumor de Wilms acomete um ou, raramente, ambos os rins, frequentemente em crianças de 3 a 4 anos de idade. Representa 5% de todos os cânceres em crianças e trata-se do tumor renal mais comum em crianças. A princípio costuma ser assintomático, embora seja detectado precocemente, através do sinal de protuberância na barriga, que na maioria dos casos não passa despercebido.

6. retinoblastoma corresponde a cerca de 2% dos cânceres em crianças e é o tumor ocular mais comum na infância. Origina na retina e na sua evolução afeta a visão da criança. Quase sempre os retinoblastomas ocorrem na faixa etária de um pouco mais ou menos de 2 anos de idade. O chamado “reflexo do olho do gato” é o sinal mais característico do retinoblastoma. O tumor pode ocasionar aumento e desvio (estrabismo) do olho e diminuição do campo visual.

7. Os tumores ósseos representam cerca de 3% dos cânceres infantis e ocorrem mais comumente em crianças de mais idade e em adolescentes, mas podem se desenvolver em qualquer idade. Costumam afetar ossos longos, como o fêmur e a tíbia. Os sintomas podem ser confundidos com a dor de crescimento, a osteomielite e com doenças reumatológicas. O tumor provoca dor, vermelhidão, inchaço e aumento de temperatura e deve ser diferenciado da metástase óssea, mais comum que ele.

Como o médico diagnostica o câncer infantil?

Em crianças, pode ser mais difícil diagnosticar o câncer, uma vez que os sintomas podem sobrepor-se às doenças e ferimentos comuns da infância. As crianças muitas vezes apresentam hematomas, por exemplo, que podem mascarar os sinais precoces de alguns tipos de câncer. Qualquer dos seguintes sintomas, que sejam persistentes, devem ser pesquisados com mais cuidado, em vista do câncer infantil: nódulos incomuns, palidez inexplicada, perda de energia, contusões repetidas, dores progressivas, andar mancando, febre inexplicada, frequentes dores de cabeça, vômitos, alterações súbitas de visão e perda de peso.

Como o médico trata o câncer infantil?

Os cânceres infantis nem sempre são tratados da mesma forma que o câncer de adultos, embora também neles seja comum o uso de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Além disso, os tratamentos podem incluir imunoterapia e transplante de células estaminais. Em muitos casos, uma combinação de dois ou mais deles é realizada ao mesmo tempo. Esses tratamentos muitas vezes são efetivos, em muitos casos, sobretudo se os cânceres são diagnosticados no início. O tipo de tratamento dependerá do tipo de câncer e do estadiamento do mesmo (o quão grave ele é).

O organismo das crianças se recupera mais rapidamente da quimioterapia e isso permite tratamentos mais intensivos, o que torna possível tratar a doença de forma mais eficaz que no adulto. No entanto, as crianças enfrentam problemas únicos durante seu tratamento para o câncer, após a conclusão do tratamento e como sobreviventes ao câncer. Os pediatras e os pais devem estar atentos a eles, para que possam prestar o suporte necessário.

Como evolui o câncer infantil?

Nos últimos anos tem havido um grande progresso no tratamento do câncer infantil. Cerca de 80% das crianças acometidas de câncer podem ser curadas, quando diagnosticadas precocemente e tratadas de maneira adequada. A maioria dessas crianças segue tendo uma boa qualidade de vida após o tratamento, embora o câncer infantil e seus tratamentos tenham diferentes efeitos nos corpos em crescimento que nos corpos adultos e possam deixar algumas sequelas permanentes.

 

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