15 de julho de 2020

Um ano após transplante, menina que superou leucemia conhece doador de medula óssea por videochamada

Myllena Alves tem 5 anos e já venceu duas batalhas contra a leucemia. Após a pandemia da Covid-19, ela planeja se encontrar pessoalmente com o doador, Andrei Antonelli, de Sorocaba (SP).

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Duas batalhas vencidas com apenas cinco anos de idade. Assim pode ser definido o que viveu em tão pouco tempo de vida a pequena Myllena Alves Alencar. A paulistana teve duas leucemias diagnosticadas em um intervalo de dois anos, mas foi salva por um doador de medula óssea até então desconhecido.

O “herói anônimo”, o funcionário público Andrei Antonelli, de 38 anos, morador de Sorocaba (SP), foi revelado à menina através de uma videochamada feita no dia 9 de junho. Eles se conheceram pela internet pouco mais de 20 meses após o transplante, realizado em outubro de 2018, na capital paulista.

A mãe de Myllena, a vendedora Daiane Faustino, explica que a pequena foi diagnosticada com leucemia pela primeira vez ainda bebê.

“Descobrimos a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) quando ela ainda tinha um ano e dois meses. Ela fez seis meses de tratamento e estava sem a doença aparente”, relata.

myllena e daiane

Porém, pouco tempo depois, a doença voltou a se manifestar.

“Quando ela tinha três anos e meio, foi para uma consulta de rotina no Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC). Estava tudo bem com ela, mas o exame de sangue deu alteração e a médica pediu um mielograma. Foi constatado que a doença havia voltado. Desta vez, ela foi diagnosticada com Leucemia Linfoide Aguda (LLA)”, explica.

A partir daí, a pequena iniciou a segunda luta pela recuperação e, com dois meses do diagnóstico, surgiu um doador compatível. Foi neste momento que as vidas de Myllena e Andrei se cruzaram. O sorocabano, até então anônimo, foi o responsável por devolver a qualidade de vida à menina.

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Doador compatível

Ao G1, Andrei explica que é doador de sangue desde os 18 anos e, aos 24, também se tornou doador de medula óssea.

“No início ano de 2018, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) me procurou e informou da compatibilidade de minha medula com um receptor. Realizei novos testes no hemonúcleo e, novamente, deu compatibilidade”, lembra.

“Pediram para eu esperar, até que, em setembro de 2018, entraram em contato novamente e perguntaram se eu poderia doar a medula. Eu aceitei e fui para o Hospital de Clínicas em Porto Alegre (RS), onde fiz uma série de exames e entrevistas.”

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Andrei não tinha qualquer informação sobre a pessoa que receberia a doação, mas isso não o impediu de realizar o gesto.

“No primeiro fim de semana de outubro, retornei a Porto Alegre, fui internado e fiz a doação. No fim do ano passado, fui chamado para doar linfócitos para o receptor, como uma parte do tratamento”, explica.

O transplante, realizado em outubro de 2018, foi um sucesso. Myllena recebeu a medula óssea e, desde então, se recupera do procedimento.

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‘Irmã de medula’

Passados 20 meses da doação, a pequena, que sonha em ser bailarina no futuro, está levando uma vida normal, mas impactada pela pandemia do novo coronavírus por ser do grupo de risco.

myllena

“Ela não pode ir à escola e passear. Ela ama parque, ir ao shopping e o balé, mas agora não pode ir. Ela sente bastante falta disso”, lamenta a mãe.

Porém, Myllena aproveitou o período de isolamento social para conhecer a pessoa que salvou a sua vida. Daiane explica que a vontade de conhecer o doador era da família inteira.

“O Redome tem a regra de que o doador só pode conhecer o receptor após 18 meses do transplante. Quando passou este período, os informei que gostaria de conhecer o doador. Eles avisaram o Andrei, que aceitou. Assim que recebi o número de telefone, entrei em contato com ele e fizemos uma chamada de vídeo para ele conhecer a Myllena”, conta.

Após a conversa por videochamada, Daiane publicou em sua conta em uma rede social um agradecimento feito por Myllena:

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Andrei também não esconde a emoção de ter conhecido a pequena guerreira que cruzou a sua vida.

“Sou filho único, tenho um filho e, quando a conheci, fiquei muito feliz e satisfeito. É como se agora eu tivesse uma ‘irmã de medula’. Após ser pai, a dor de uma criança dói muito mais em nós. A minha esposa chorou, eu me emocionei. Faria tudo de novo”, relata.

Daiane explica que, após a pandemia, ambos pretendem se encontrar pessoalmente. A vontade é compartilhada pelo sorocabano. “Torcendo para passar essa pandemia e poder dar um super abraço e um beijo. Vou tirar muitas fotos com ela”, comenta.

Além disso, Andrei espera que atitudes como esta se repitam cada vez mais. “Eu vi fotos dela doente e de agora, além da chamada de vídeo. Parece outra criança. Publiquei a doação em minhas redes sociais como forma de divulgar e incentivar os meus amigos a serem doadores de medula. Não faz mal algum ao doador e traz a possibilidade de viver ao receptor”, finaliza.

Fonte: G1

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