24 de janeiro de 2013

Artigo: Reflexões sobre os benefícios das práticas lúdicas no contexto da casa de apoio Apala

Sandra Agrelli – Psicóloga Clínica

“Se não está comprovado que a felicidade é condição de saúde, no mínimo podemos dizer que se analisa com frequência que a tristeza está relacionada com boa parte das enfermidades.”

São muitos os fatores que influenciam no bem-estar de um paciente com doença grave e, por melhor que seja o trabalho, não há milagres. O câncer provoca muita dor. Não dá para responsabilizar só a parte psicológica. Ainda assim, há um alívio perceptível desta dor, quando conscientes de um trabalho multi e interdisciplinar, buscamos agregar ao nosso processo educativo de apoio e ajuda práticas lúdicas e de entretenimento, que promovam a melhoria da autoestima e esperança frente a dor existencial.

No dia-a-dia os benefícios de levar um pouco de alegria às crianças e adolescentes com câncer, faz com que esqueçam um pouco da doença e se aproximem de uma vida mais saudável, resultando em uma vivência emocional menos sofrida, que contribui com o tratamento e superação junto ao status adquirido de doentes.

“Na realidade dos pacientes oncológicos pediátricos é notável a necessidade da utilização de recursos lúdicos que propiciem a adesão ao tratamento e a elaboração psíquica dentro do processo do adoecer” (VALLE & FRANÇOSO, 1999).

Importante se faz, portanto, a utilização de jogos e brinquedos que remetem à rotina hospitalar, tais como: seringas, luvas, estetoscópio, termômetros e maleta médica, nos espaços de práticas lúdicas da Casa de Apoio, por serem os mesmos, recursos valiosos que dão as crianças enquanto brinca, a possibilidade de simbolização. Ela constrói um cenário próprio, podendo se remeter à troca de papéis, representando o vínculo que estabelece com a equipe de saúde e cuidadores.

O brincar passa a ser visto como um espaço terapêutico capaz de promover não só a continuidade do desenvolvimento cognitivo, como também a possibilidade de, através dele, melhor elaborar esse momento específico em que vive. O desenho é uma das atividades lúdicas que possibilita a criança expressar graficamente conteúdos referentes a sua vivência emocional associada ao contexto social em que está inserida, assim como a forma com que lida com suas possibilidades e dificuldades.

Para você voluntário e profissional da Apala, que reconhece a importância da alegria, do sorriso e do entretenimento, como fonte de cura e vida para nossos pequenos grandes heróis, termino com esta mensagem para reflexão: “Não concordo com ‘rir é o melhor remédio’. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos. Infelizmente, os meios de comunicação, sendo como são, muito antes de me conhecer, imaginam que rir seja o melhor remédio.[…] Também quero corrigir a idéia de que rir seja uma terapia. […] Para mim, humor é contexto”( Patch Adams ).

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